quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O que realmente é mais importante


(Lc 2.41-52) - O esquecimento passou a fazer parte do cotidiano humano. Vivemos numa época muito corrida, na qual queremos de pronto resolver tudo de uma só vez, pois tudo é para ontem. E essa corrida frenética pelas coisas do dia-a-dia da vida ajudam a nossa mente a vagar pelo esquecimento de coisas importantes e pasmem até mesmo de pessoas importantes. Já percebeu o quanto é comum esquecermos de pessoas importantes, simplesmente porque estamos presos a coisas ao nosso redor que julgamos importantes. Esses dias li no facebook: “O que a internet faz mais com você: te aproxima das pessoas que estão longe, ou te afasta das pessoas que estão perto?


Irmãos, muitas vezes sem perceber estamos vivendo intensamente presos as coisas que estão mais próximas de nós, observando apenas as coisas que estão ao nosso redor, e não estamos nos atentando para o que realmente é importante em nossa vida. Precisamos entender que nem sempre o que está nos reclamando atenção e está ao nosso redor é mais importante. Será que nossas coisas são mais importantes do que as pessoas? Será que o nosso trabalho é mais importante do que a nossa família? Será que nosso lazer pessoal é mais importante do que Deus?

Exemplo: Um rapaz com muita pressa, esqueceu o filho no carro e foi para a academia em SP.

Pergunta: porque trocamos as coisas mais importantes pelas coisas menos importantes ou as que estão ao nosso redor? Eu encontro pelo menos três respostas a essa pergunta:

1) Nós nos tornamos imediatistas.

“Terminados os dias da festa, ao regressarem, permaneceu o menino Jesus em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem”. (Lc 2.43) - Bastou terminar a festa, e eles estavam com pressa para voltar logo para casa. A festa era de grande importância religiosa para os judeus, no entanto me parece que regressar logo para Nazaré tinha caráter imediato. Será que José deixou a carpintaria com alguma pendência de trabalho? Será que Maria deixou muita roupa pra lavar em Nazaré? Será que na festa deste ano Jerusalém estava muito cheia, e por isso precisamos voltar logo?

Pense em nosso cotidiano, em nossa rotina: Queremos uma dieta rápida e revolucionária, sem deixar de comer o que gostamos. Queremos estar empregados o mais rápido possível, e sem muita exigência. Queremos que o médico nos cure em curto prazo de tempo e sem tratamento.
E no campo religioso nem se fala: folhetos dizem: “trago a pessoa amada em três dias”, e já mudaram isso sabia? Eu vi um assim: “trabalhos infalíveis para todos os fins, trago a pessoa amada rastejando”.
Já viu as campanhas nas igrejas: “Deus mudará a sua sorte em 2012 em oito semanas”. “Sete semanas da restituição total”. “Sete segredos para o homem ficar rico”. E essa é a mais nova: “A pastora tal vai ministrar a unção do estudante para você ingressar logo na faculdade, no concurso público etc.

Eu lhe pergunto: somos ou não somos imeditatistas? Queremos ser abençoados, mas não queremos trilhar o longo caminho do discipulado. Queremos estar na igreja, mas não queremos ser igreja. Queremos vitórias do Senhor pra nossa vida, mas não queremos lutas. Queremos decorar o versículo, mas não queremos conhecer o Senhor na essência.

Como Jesus é diferente de nós, ele estava no templo empreendendo tempo para ensinar aos doutores da lei. Ele não estava com pressa de voltar para casa, ainda que tenha sido esquecido. “Três dias depois, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os”. (Lc 2.46)

Jesus jamais foi imediatista, Ele ficou cerca de dezoito anos em Nazaré antes de manifestar-se ao mundo como Sacerdote, Rei e Profeta. Formou seus discípulos em cerca de três anos e meio. Esperou e cumpriu a vontade de Deus em todos os sentidos: em sua vida, morte e ressurreição.

Que possamos aprender a esperar no Senhor em todos os quesitos de nossa vida. Que possamos ser pacientes na mais agitada tribulação. Que possamos aguardar pelo livramento do Senhor na noite mais escura da nossa vida. Que possamos demorar em nossa pressa, e nos apressar em compreender o tempo e a vontade do Senhor.

2) Nós valorizamos mais o Ter do que o Ser

“Pensando, porém, estar ele entre os companheiros de viagem, foram caminho de um dia e, então, passaram a procurá-lo entre os parentes e os conhecidos” (Lc 2.44) – José e Maria estavam tão presos ao que tinham, que juntaram tudo, toda a bagagem, todos os pertences especiais. No entanto, esqueceram de Jesus e só quando se afastaram cerca de 30 a 40 km de Jerusalém é que eles se lembraram que Jesus não estava entre os companheiros de viagem. E aí passaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos daquela caravana.

Sabe irmãos, a verdade é que queremos ter muita coisa, mais somos pouca coisa. Queremos obter as bênçãos de Deus, queremos a unção de Deus dobrada sobre nós, Queremos ter mais dons espirituais, queremos ter mais habilidades ministeriais, mas não queremos ser cristãos, ser discípulos, ser servos, ser obedientes, ser submissos, ser perseverantes, ser pacientes, ser sábios em muitos episódios de nossa vida.

Como Jesus é diferente de nós, ele mostrava ser muita coisa ao invés de mostrar que tinha muita coisa. “E todos os que o ouviam muito se admiravam da sua inteligência e das suas respostas. (Lc 2.47). O fato de Jesus estar no meio dos doutores ouvindo e sendo ouvido, admirando e sendo admirado, mostra o compromisso de servo que Jesus tinha, mostra o caráter discipulador que ele possuía, mostra a humildade e paciência que tinha em pregar e ensinar sobre o Reino de Deus (o que ele julgava ser mais importante). Mostra que ele tinha habilidade e sabedoria para evangelizar. Mostra que ele testemunhava á medida que fazia a vontade do pai “Logo que seus pais o viram, ficaram maravilhados; e sua mãe lhe disse: Filho, por que fizeste assim conosco? Teu pai e eu, aflitos, estamos à tua procura. Ele lhes respondeu: Por que me procuráveis? Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai? (Lc 2.48-49).

Existe um risco em preferir ter do que ser: “O Ser não se acaba nem se perde com o tempo, mas o Ter pode terminar logo, num instante”.

Você lembra da segunda multiplicação de peixes (Mc 8 e Mt 15). Lá diz que depois daquela multiplicação Jesus resolveu ir para o outro lado da margem. “Ora, aconteceu que eles se esqueceram de levar pães e, no barco, não tinham consigo senão um só”. (Mc 8.14). Como isso aconteceu, se sobrou sete cestos cheios de pães? “Comeram e se fartaram; e dos pedaços restantes recolheram sete cestos. (Mc 8.8).

Jesus era diferente, pois mostrava ser muita coisa ao invés de mostrar que tinha muita coisa “Naqueles dias, quando outra vez se reuniu grande multidão, e não tendo eles o que comer, chamou Jesus os discípulos e lhes disse: Tenho compaixão desta gente, porque há três dias que permanecem comigo e não têm o que comer. Se eu os despedir para suas casas, em jejum, desfalecerão pelo caminho; e alguns deles vieram de longe”. (Mc 8.1-3)

No Evangelho de João encontramos registrado por sete vezes o “Eu Sou” de Jesus, Ele disse: Eu sou o pão da vida; a luz do mundo; a porta; o bom pastor; a ressurreição e a vida; o caminho a verdade e a vida; a videira verdadeira.

Se sete é o símbolo da perfeição na bíblia, deduzimos então que segundo Jesus o que há de mais perfeito para tornar um ser humano melhor é valorizar o ser, ao invés do ter.  

3) Nós nos apegamos ao nosso Eu de maneira errada

José e Maria ao regressarem imediatamente de Jerusalém se atentaram para todas as coisas ao redor, verificaram tudo, observaram se estava tudo no lugar, mas só esqueceram de um pequeno grande detalhe; Jesus. Eles tanto só pensavam neles naquele momento, que mesmo pensando que Jesus estivesse entre os companheiros de viajem (vs 44), eles não foram lá verificar, e só fizeram isso depois de viajarem cerca de 40 km. (caminho de um dia). Não que Jesus não fosse importante, mas ao que parece o que reclamava a atenção deles naquela hora, era justamente toda a organização da viajem, tudo o que estava por fazer. Tanto é que quando regressam a Jerusalém eles estavam tão aflitos que invertem os papéis e perguntam a Jesus: Filho, porque fizeste assim conosco? “Logo que seus pais o viram, ficaram maravilhados; e sua mãe lhe disse: Filho, por que fizeste assim conosco? Teu pai e eu, aflitos, estamos à tua procura. (Lc 2.48). Com a idade que tinha Jesus poderia até mesmo pegar uma carona na caravana de alguém para regressar a nazaré, mas espera aí, Jesus estava sob a tutela de seus pais que eram seus responsáveis diretos, por isso não podemos inverter os papéis.

Pense irmãos, muitas vezes só pensamos em nós, é o nosso Eu centralizado. John Stott disse: “que a ordem de Deus é que primeiro amemos ao Senhor, depois ao nosso próximo, e por último a nós mesmos. Segundo ele a reversão desta ordem é pecado”.

Não que tenhamos que nos descuidar de nós mesmos, mas quando idolatramos o nosso Eu de acordo com as nossas conveniências e necessidades, me parece que o outro fica em segundo lugar, e Deus em algum lugar distante. Você quer ver um exemplo parecido com isso:

Na prisão José interpreta o sonho do copeiro-chefe dizendo a ele, que ele seria restituído no cargo e aí lhe faz um pedido: “Porém lembra-te de mim, quando tudo te correr bem; e rogo-te que sejas bondoso para comigo, e faças menção de mim a Faraó, e me faças sair desta casa”(Gn 40.14). Porém quando o copeiro-chefe é restituído ele não se lembra de José “O copeiro-chefe, todavia, não se lembrou de José, porém dele se esqueceu” (Gn 40.23).

Percebeu como ele esqueceu com tanta facilidade de alguém que o ajudou, sabe porque? Porque o Eu estava na frente de qualquer coisa, seu egocentrismo apagou completamente da sua memória qualquer pessoa ou fato. Enquanto ele estava sofrendo na prisão procurou José, mas depois que conseguiu o que queria esqueceu. (isso é uma lição pra nós).

Como Jesus é diferente de nós, ele resolveu ficar em Jerusalém porque entendia que precisava servir a outros, cuidando assim das coisas do Pai, mesmo que fosse por três dias “Ele lhes respondeu: Por que me procuráveis? Não sabíeis que me cumpria (tratar dos negócios do meu pai) estar na casa de meu Pai? Não compreenderam, porém, as palavras que lhes dissera. (Lc 2.49-50).

Jesus não se idolatrava, não trocava suas prioridades, não se deixava influenciar pelas circunstâncias e as adversidades. Era um líder servidor com uma bacia e uma toalha pronta para enxugar os pés de quem quer que fosse por amor. Jesus nunca deixou de valorizar o que era mais importante, até mesmo pra sua família foi capaz de dizer: “Vocês não sabiam que eu precisava tratar das coisas do meu Pai? Que isso é mais importante pra mim do que vocês?

Deixemos as coisas que são secundárias e vamos nos focar naquilo que realmente importa, naquilo a bíblia ensina que devemos nos importar. Que deixemos o imediatismo, a busca do ter ao invés do ser, e que coloquemos o nosso Eu no lugar devido e não no trono de adoração.

O que realmente importa é Deus, sua Palavra, sua graça, seu Reino, sua igreja, seu serviço, seu discipulado, seu ensinamento, sua verdade, seus conselhos. Acima de Tudo Deus é mais importante, o próximo está ao lado, e nós no lugar devido.


Pr. Flavio Muniz


Um comentário:

  1. Pr. Flávio Muniz,


    a paz do Senhor, estou te seguindo e divulgando o teu blog no meu blog. Gostei da postagem, muito interessante e expressa a realidade dos nossos dias. José e Maria esqueceu JESUS no templo imagine nós nos tempos de hoje, trocamos a oração, meditação e até a comunhão com Deus por coisas fúteis.

    voltemos a verdadeira adoração.

    em Cristo.

    www.expressandoaverdade.blogspot.com

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Palavra de Nova Vida - Pr. Flavio Muniz

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