
Por mais que queiramos
ser modernos, diferentes dos cristãos de alguns anos atrás, Deus é o mesmo. Por
mais que nossas práticas de culto sejam menos formais do que há alguns anos,
Deus é o mesmo. Por mais que nós digamos aceitar este ou aquele ponto como sendo
o nosso ponto de vista mais adequado, Deus é o mesmo. Por isso, aquilo que ele
revelou e requer de nós continua exatamente o mesmo. Embora o mundo moderno
negue a vontade soberana de Deus (e nós, muitas vezes, estamos mais dispostos a
ouvir o mundo do que ouvir a Deus) a doutrina cristã é a mesma.
Podemos dizer que a
igreja do Novo Testamento cresceu porque deu amplo destaque ao ensino
doutrinário; foi assim que ela conseguiu ter um crescimento constante. Isto não
quer dizer que a igreja não sofresse oposição, nem que não enfrentasse falsos
ensinos e heresias, ao contrário, os cristãos foram martirizados por causa de
suas profundas convicções doutrinárias; não abriram mão delas. Ninguém arrisca
sua vida por algo em que não acredita fortemente. Os cristãos não negaram
Cristo nem sua doutrina; para eles, os fundamentos de sua fé eram nítidos. O
fato é que a igreja desde a sua origem era estruturada na Palavra, era capaz de
divulgar e defender suas doutrinas básicas. Ela estava edificada “sobre o fundamento dos apóstolos e profetas,
sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular”. (Ef. 2.20), como diz
Paulo.
Os apóstolos transmitiram os ensinamentos de Jesus
com fidelidade:
“Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei” (1 Co. 11.23a)
“O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com
os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com
respeito ao Verbo da vida (e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela
damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e
nos foi manifestada), o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós
outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa
comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo”. (1 Jo 1.1-2)
O que é doutrina
bíblica?
Ao contrário da
filosofia, a doutrina cristã não se perde em especulações. Se por um lado,
conduz-nos a conhecer mais intimamente a Deus; por outro, constrange-nos a ter
uma vida santa e irrepreensível. Andrew
Bonar, ao destacar-lhe a importância em nosso cotidiano, foi enfático:
“Doutrina é coisa prática, visto que desperta o coração”.
A palavra doutrina significa “ensino ou instrução”.
No caso, é bíblica, porque a sua base é a Bíblia.
Interessante: A palavra doutrina se
origina do grego “didaque”, significando ensino ou instrução; seu sinônimo
comum é didaskalia. Os dois termos expressam tanto o ato de ensino (sentido
ativo) como aquilo quer é ensinado (sentido passivo). Didaque aparece cerca de
trinta vezes no Novo Testamento, já didaskalia cerca de dezesseis vezes nas
epístolas pastorais; cerca de vinte e duas vezes em todo o Novo Testamento.
Quando falamos em doutrina,
estamos nos referindo aquelas que são expostas na Bíblia e que representam o
alicerce, o sustentáculo de nossa fé. Se descuidarmos e desprezarmos as
doutrinas, perderemos a nossa identidade espiritual como servos de Deus, como
seguidores de Cristo, como discípulos de Cristo.
A definição de
doutrina
"conjunto de princípios básicos em que se
fundamenta um sistema religioso, filosófico ou político; rudimento da fé
cristã" (dicionários). A doutrina é um
conjunto de princípios que, tendo como base as Sagradas Escrituras, orienta o
nosso relacionamento com Deus, com a Igreja e com os nossos semelhantes. Ela
pode ser definida, ainda, como ensino da Bíblia. Este, contudo, tem de ser
persistente, sistemático e ordenado, induzindo os santos a se inteirarem de
todo o conselho de Deus (At 20.27).
Os objetivos da
doutrina
O principal objetivo
da doutrina bíblica é aprofundar o nosso conhecimento de Deus (Os 6.3). Se não
o conhecermos experimental e redentivamente, como haveremos de colocar-nos a
seu serviço? (1 Sm 3.7). O Israel do Antigo Testamento caiu na apostasia por
não conhecer a Jeová. Através de Oséias, o Senhor amoroso, lamenta: “O meu povo
está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento.” (Os 4.6). A doutrina
bíblica também visa à perfeição moral e espiritual do ser humano. Escrevendo ao
jovem pastor Timóteo, o apóstolo Paulo é mais do que claro; é incisivo: “Toda a
Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a
correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja
perfeito, e perfeitamente habilitado para toda a boa obra” (2 Tm 3.17).
As doutrinas são uma exposição das verdades
centrais ou fundamentais de nossa fé, portanto devem ser
estudadas de forma sistemática, para que uma vez que estiverem devidamente agrupadas,
serão melhor analisadas como aparecem na Bíblia em ambos os Testamentos.
Saber em que se crê é fundamental para a existência
de uma vida cristã frutífera. Assim se expressou o
apóstolo Paulo: “Eu sei em quem
tenho crido” (2 Tm 1.12). Ele tinha uma crença firme, razão pela
qual foi capaz de suportar provações, tribulações, tentações e etc.
A necessidade da
doutrina
Há cristãos que,
menosprezando a doutrina bíblica, alegam: “O importante não é a teoria; e, sim:
a prática”. Entretanto, quem disse que a doutrina bíblica é meramente teórica?
Ela é a vontade de Deus. E, como tal, deve ser posta em prática. Aos filhos de
Israel, ordena o Senhor: “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu
coração; e as intimarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e
andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal
na tua mão e te serão por testeiras entre os teus olhos. E as escreverás nos
umbrais de tua casa, e nas tuas portas” (Dt 6.6-9).
Precisa-se conhecer a doutrina para, então
praticá-la. Como podemos saber se estamos na luz, se não
examinarmos nossos conceitos, nossas ações pela doutrina bíblica
apresentada? “Examinai-vos a vós
mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis
que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados”. (2
Co. 13.5). Quando se expõe algo, nossa base não pode ser o julgamento próprio,
mas, por meio da verdade, apresentada pela Bíblia. Tendo conhecimento da
doutrina, devemos praticá-la: “Ora,
se sabeis estas cousas, bem-aventurados sois se as praticardes“ (Jo. 13.17); “Porque os simples ouvidores da lei não são
justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados” (Rm
. 3.13- ARA). Ao terminar o “Sermão da Montanha”, Jesus esclarece o que Ele
esperava daqueles que ouviram Seus extraordinários ensinos: “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras
e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a
rocha” (Mt 7.24). A conclusão é clara: primeiramente necessita-se
ouvir o ensino; depois praticá-lo. Quanto àqueles que não praticam seus
ensinos, Jesus foi claro ao afirmar que edificam sua casa sobre a areia, e por
isso “será grande a sua ruína (Mt 7.27).
A reação dos ouvintes em razão do ensino do
Mestre: “A multidão se admirou da
sua doutrina, porquanto os ensinava com autoridade e não como os escribas” (Mt. 7.28-29).
Vejamos por que a doutrina bíblica é necessária:
1. A doutrina bíblica nos
proporciona a salvação em Cristo. Paulo instrui ao seu
jovem filho na fé: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina: persevera nestas
coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te
ouvem” (1 Tm 4.16).
2. A doutrina bíblica nos
santifica. Em sua oração sacerdotal, Cristo se refere ao poder
santificador da Palavra de Deus desta forma: “Eu lhes tenho dado a tua palavra,
e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como também eu não sou. Não
peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. Eles não são do mundo,
como também eu não sou. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.”
(Jo 17.14-17).
3. A doutrina bíblica nos
torna sábios. Timóteo, instruído por sua mãe, Eunice, e por sua
avó, Lóide, se tornou num dos melhores pastores do Novo Testamento. Ainda
jovem, veio ele a ser considerado um sábio, conforme lhe escreve Paulo: “Tu,
porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de
quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem
tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus.” (2 Tm 3.15).
A doutrina bíblica é imprescindível para o nosso
crescimento na vida cristã. Sua necessidade pode ser constatada tanto coletiva
quanto individualmente.
William S. Plumer analisa a eficácia da doutrina
bíblica na vida cristã: “Doutrinas fracas não são páreo para tentações fortes”.
Que Deus te abençoe rica e abundantemente,
Pr. Flavio Muniz