quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Uma personalidade sadia para a eternidade


(Pv 30.1-3; 11-14) - Salomão filho do Rei Davi é considerado o autor da maior parte da literatura proverbial. Quando ele era rei de Israel, ele reinou por 40 anos, e diz a Bíblia que ele era um homem de muita sabedoria. Só para termos uma noção da sabedoria que Deus deu a Salomão, a bíblia diz em (1Rs 4.30) que Salomão no seu tempo era o homem mais sábio do oriente e também possuía sabedoria maior que a sabedoria dos egípcios. Veja bem, cerca de 3000 provérbios e 1005 cânticos são atribuídos a Salomão.


E nós sabemos irmãos por revelação da palavra que sabedoria é a capacidade de julgar prudentemente e agir corretamente. Portanto se desejamos obter sabedoria de Deus para nossas vidas nós precisamos de duas coisas:

1)      Pedir a Deus que nos concede liberalmente (Tg 1.5)
2)      Conhecer os provérbios que nos foram revelados (Pv 1.5,6)

E deixa eu lhe dizer o que são provérbios

Þ      Provérbios são na realidade ditados da sabedoria divina aplicados a vida diária do povo de Deus.

Þ      Podemos dizer também que provérbios também são declarações simples, porém vigorosas, tiradas da vida diária e usadas como normas práticas para uma vida bem-sucedido

Þ      Provérbios são sentenças curtas tiradas de longas experiências.

Þ      Se fossemos resumir o que são provérbios, diríamos o seguinte: “provérbios são leis do céu para uma vida de sabedoria espiritual na terra”.

E se desejamos também conhecer o objetivo dos provérbios, basta que entendamos o seguinte: “o objetivo de provérbios é que homens e mulheres possam conhecer a sabedoria que vem de Deus e permitir que ela nos governe a vida (Pv 1.1-7). Ou, poderíamos dizer que o objetivo de provérbios está ligado ao tema: O crescimento de uma personalidade sadia para a eternidade.

O propósito teológico - Foi escrito para dar ao povo de Deus um guia prático e memorável de como aplicar o conhecimento de Deus (o temor do Senhor) à vida diária, para aqueles que já entraram num relacionamento de Aliança com Ele. Mostrando como a Aliança com Deus tem aplicação extremamente prática no seu cotidiano.

No texto que lemos no cap. 30, nós encontramos provérbios de um homem chamado Agur, filho de Jaque de Massá. Não se sabe muita coisa sobre este homem. Alguns dizem que ele não seria um israelita, porém com um conhecimento do Deus verdadeiro. Fato é que as palavras de sabedoria desse homem foram anexadas à literatura proverbial. E se isso aconteceu é porque nós devemos ter consideração e ponderação na hora de analisarmos suas sábias palavras.

Interessante que Agur no início de suas palavras, ele se mostra intensamente desejoso de conhecer a Deus, porque refletindo sobre si, ele chega a conclusão por humildade que é limitado demais para conhecer e obedece-lo. (Pv 30.2,3). E partir daí ele começa a refletir sobre diversas coisas que devemos fazer para obedecer a Deus e conhecer mais a Ele. Na verdade as palavras de Agur se conectam com um dos objetivos de Provérbios, que é justamente obtermos uma personalidade sadia para a eternidade.

Mais antes de falarmos das características de alguém que possui uma personalidade sadia para a eternidade, eu preciso fazer algumas considerações importantes:

Segundo a enciclopédia mais famosa da internet (Wikipédia) - Personalidade (etimologia - Latim personare, persona = máscara) é o conjunto de características psicológicas que determinam os padrões de pensar, sentir e agir, ou seja, isso é a individualidade pessoal e social de alguém. Para a psicologia Personalidade é um conceito complexo com várias facetas.

E nós poderíamos dizer que espiritualmente falando, a bíblia é o livro divino que reúne o conjunto de máximas divinas que determinam os padrões de pensar, de sentir e de agir de todos aqueles que creem e confessam sua fé no único Deus verdadeiro - Jesus Cristo. Para os fiéis, para os crentes, para os cristãos, a bíblia é de fato e de verdade a Palavra de Deus e por isso ela nos orienta como uma bússola, a como deve ser o nosso modo de pensar, de agir e de sentir segundo o modelo divino e não segundo as concepções humanas ou filosóficas.

Quem crê em mim, ainda que morra viverá, e todo o que vive e crê em mim não morrerá eternamente, crês isto? (Jo 11.25-26). A bíblia em diversos textos promete a eternidade após a morte para os crêem em Cristo, no entanto ela é enfática em ensinar que não basta somente alcançarmos a eternidade (o céu) através da fé. Ela ensina que devemos desenvolver nossas competências espirituais para que alcancemos uma personalidade sadia que se coadune com os padrões eternos (Fp 2.12). Poderíamos dizer que desenvolver a nossa salvação com temor e tremor seria desenvolver nossas competências espirituais alcançadas em Cristo. Estas competências espirituais na verdade estabelecem a personalidade requerida por um Deus que na sua essência é único, imutável, homogêneo, individual, indivisível. Um ser que é auto-existente, possui espírito puro, e que principalmente não teve princípio nem fim e que, portanto é ETERNO.

Sabe irmãos: “Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim”. (Ec 3.11). Deus fez o homem para ser eterno, porém devido ao pecado, Deus impôs limitações a Ele (ex: a morte física e espiritual). O pecado limitou o homem e principalmente corrompeu o homem em suas faculdades morais, emocionais, e sentimentais. Diz a bíblia (Ec 7.29) que Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias. Provavelmente por isso ele não consegue muitas vezes fazer crescer sua personalidade para que ela se torne sadia para habitar a eternidade.

É fato que as palavras de Agur filho de Jaque nos mostram classes de pessoas com personalidades diferentes e que nada tem haver com a personalidade que Deus requer para uma pessoa que almeja eternidade:

1 – Os desrespeitosos (vs11) – “Há daqueles que amaldiçoam a seu pai e que não bendizem a sua mãe”.

Na versão (ARC) diz: há uma geração... Sabe irmãos o desrespeito não é uma atitude ruim somente no âmbito familiar. Ele é também uma atitude ruim no âmbito social e principalmente espiritual. Quantas pessoas se dizem salvas em Cristo, mas o desrespeitam com suas atitudes mais deploráveis. São pessoas que dizem amar a Deus, mas não amam o que Deus ama, não conseguem reproduzir os atributos comunicáveis de Deus; não amam o amor, não amam a justiça, não amam a equidade, não amam a retidão. Somente amam o que preferem, somente valorizam e respeitam o que diz respeito a eles.

Na bíblia desrespeitar a Deus significa falta de temor sabia? Porque a Bíblia ensina que temor é um respeito reverente e santo para com o nosso Deus (Hb 12.28). Quem perde o temor, perde o respeito, e quem perde o respeito, não produz uma personalidade que agrade a Deus e que combina com aqueles que serão eternos.

Há daqueles que desrespeitam, mas há daqueles que ainda respeitam e que por isso avançam a cada dia para obterem uma personalidade sadia para a eternidade.

2 – Os hipócritas (vs12) – “Há daqueles que são puros aos próprios olhos e que jamais foram lavados da sua imundícia”.

O que é hipocrisia? Hipocrisia significa fingimento, falsidade; fingir sentimentos, crenças, virtudes, que na realidade a pessoa não possui. Hipocrisia deriva do latim e do grego e significava a representação no teatro, dos atores que usavam máscaras, de acordo com o papel que representavam em uma peça. O hipócrita é alguém que oculta à realidade através de uma máscara de aparência.

Jesus dedicou boa parte do seu ministério repreendendo os religiosos de sua época por suas atitudes hipócritas. “Posto que miríades de pessoas se aglomeraram, a ponto de uns aos outros se atropelarem, passou Jesus a dizer, antes de tudo, aos seus discípulos: Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia”. (Lc 12.1)

Em (Gl 5.9) está escrito: um pouco de fermento leveda toda a massa. Ou seja, o fermento é o pecado, no caso aqui a hipocrisia e nós somos a massa. O fermento é uma pequena porção que se coloca na massa para que ela toda fique levedada e cresça.  Nesse sentido, o efeito do fermento é muito bom. Mas, há o outro lado da coisa: a fermentação também deteriora os alimentos mudando-lhes o gosto e causando problemas de indigestão. É por isso que Jesus diz: Acautelai-vos, ou tomem cuidado com a fermentação dos fariseus.

No texto de Mateus 23 quando Jesus está em pé no templo, e rodeado por uma multidão que o escutava, Jesus denunciava publicamente os erros dos principais escribas e fariseus sem poupar palavras devido à divergência entre o discurso e a prática destes religiosos. Por oito vezes ele usa a expressão solene “ai de vós”, e por sete ele os chama de hipócritas.

Aparentar ser uma coisa que não somos diante de Deus e dos homens é abominável diante do Eterno. Ouça: Deus é terrivelmente contra os hipócritas e os julgará conforme o conselho de sua vontade, e os retribuirá segundo sua reta justiça. A personalidade dos hipócritas não se enquadra na personalidade dos chamados filhos de Deus que foram adotados pelo Eterno Deus para serem eternos.

Os homens deviam ser o que parecem ou, pelo menos, não parecerem o que não são. “William Shakespeare”

Portanto, hipocrisia não combina com a personalidade sadia daqueles que almejam ser eternos. A personalidade de um hipócrita combina sim com as atitudes dos fariseus modernos. Façamos nossa a oração de Davi: “Bem sei, meu Deus, que tu provas os corações e que da sinceridade te agradas...” (1Cr 29.17)

3 – Os orgulhosos –Há daqueles — quão altivos são os seus olhos e levantadas as suas pálpebras! (vs 13)

Segundo a tradição cristã, desde o início da era medieval, dos chamados sete pecados capitais ou sete pecados mortais, o orgulho figura como o primeiro da lista. Orgulho é a atitude de se considerar superior e melhor que os outros a ponto de desprezá-los por completo. É por causa do orgulho que as pessoas desprezam, humilham e oprimem seus semelhantes. É por causa do orgulho que existem preconceito e racismo no mundo. O orgulho produz uma ruína espiritual tão grande, que o orgulhoso nem percebe que se ama mais do que a Deus. O orgulho não permite que uma pessoa reconheça que se ela possui boas virtudes, isso não é por seu mérito, e sim por misericórdia divina. 

“Olhar altivo e coração orgulhoso, a lâmpada dos perversos, são pecado”. (Pv 21.4) A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda. (Pv 16.18)

Jesus disse em (Mt 23.12) -  Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado.

A humildade é o remédio contra o orgulho. Jesus é manso e humilde de coração. A humildade nos faz se submeter a Deus de modo imediato. A humildade nos faz ser como crianças para alcançarmos o Reino de Deus. A humildade não nos faz menores e sim maiores.
O orgulho não combina com a personalidade sadia daqueles que estão caminhando em direção à eternidade. Que o conselho de Paulo seja seguido por cada um de nós: “Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos”. (Rm 12.16)

4 – O ambiciosos – “Há daqueles cujos dentes são espadas, e cujos queixais são facas, para consumirem na terra os aflitos e os necessitados entre os homens”. (vs 14)

O ambicioso aqui pode ser visto como o cobiçoso. Cobiça é um desejo imoderado em possuir, avidez, ganância. A bíblia diz em (Ec 6.9) – “Melhor é a vista dos olhos do que o andar ocioso da cobiça; também isto é vaidade e correr atrás do vento”. O cobiçoso é aquele que não se contenta com o que tem. O cobiçoso é aquele que não mede esforços e planos para adquirir o que quer por meio de qualquer coisa. Ele não é sensato, ele não é sábio. O cobiçoso perde tanto tempo querendo tudo e quando se dá conta vê que ele mesmo não tem nada.

A Bíblia ensina que o estágio inicial de todo pecado é a cobiça – “Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte”. (Tg 1.14-15).

A mentira anda junto com a cobiça e atrás de tudo isso vem à morte. Para justificar o pecado da cobiça, Judas se ocultou na mentira. Judas encheu o coração pelo dinheiro. A promessa foi trinta moedas de prata, mas o seu fim foi o seu suicídio.

Jesus disse que aonde estivesse o nosso tesouro, ali estaria o nosso coração. Aonde nosso coração está? Ali estará o nosso tesouro. A bíblia não proíbe o almejar coisas boas para nós, para nossa família, para os demais. A questão é que a cobiça não almeja, ela sempre almeja de modo exagerado.

Há o suficiente no mundo para todas as necessidades humanas, mas não há o suficiente para a cobiça humana. (Mahatma Gandhi)

A cobiça não combina com aqueles que possuem uma personalidade sadia daqueles que estão caminhando em direção à eternidade.
Acredite! Deus requer de nós uma personalidade sadia para a eternidade. Se assim não o fosse, não seria necessário uma transformação através do Evangelho. Se Deus não requeresse de nós uma vida mudada e transformada pelo seu poder, ele possivelmente não enviaria Jesus, porque Jesus foi perfeitamente homem e divinamente Deus. Jesus cumpriu a vontade do Pai e testemunhou de suas obras para mostrar aos homens que é possível agradar a Deus, fazer sua vontade e principalmente glorifica-lo em todas as coisas. E isto só foi possível quando o justo morreu pelos injustos, quando o Santo morreu pelos pecadores, Quando o perfeito morreu pelos imperfeitos.

Na personalidade de Jesus não cabia o desrespeito, a hipocrisia, o orgulho e a ambição. E não me venha dizer que por ser ele o próprio Deus isto era o correto, porque a bíblia diz em (Hb 4.15) que ele foi tentado em todas as coisas, a nossa semelhança, mas sem pecado.

Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. (Pv 4.18).

Deus nos chamou com vocação a eternidade, portanto precisamos andar de modo digno da vocação a que fomos chamados, assim ensina Paulo em (Ef 4.1)

Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos. (Is 57.15)

Bendito seja o Evangelho!

Pr. Flavio Muniz

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