sexta-feira, 19 de abril de 2013

A verdade transformadora do Evangelho



(Gl 1.6-9; Jo 1.35-42) -“Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema”. (Gl 1.6-9).

Estamos vivenciando dias tenebrosos em relação à mensagem do Evangelho. O Evangelho puro e simples tem sumido dos púlpitos e tem sido pregado em seu lugar um outro evangelho, levando as pessoas a terem uma ideia totalmente distorcida de quem seja realmente Jesus, e, principalmente, porque Ele morreu na cruz.

O outro evangelho nada mais é do que um evangelho que foi pervertido, corrompido, que foi além do evangelho de Cristo pregado por Paulo e pelos apóstolos. O “evangelho que vai além” não é somente um evangelho diferente, estranho, controverso á Palavra ou melhorado, na verdade ele é tão desprovido de autoridade divina, essência da cruz, e conteúdo cristocêntrico que o podemos chamar de “Outro evangelho”.

No texto que lemos, vemos como o Apóstolo Paulo ficou estupefato em saber como as igrejas na Galácia se distanciaram do Deus verdadeiro e do evangelho verdadeiro que os chamou na graça de Cristo. A transgressão daquelas igrejas foi além de se desviar da mensagem apenas; elas se distanciaram da mensagem do evangelho e de Deus. A suposta mensagem de “boas novas” de salvação ao qual eles estavam sendo levados era desprovida da verdade e muito perigosa. Sem dúvida tinham argumentos convincentes e lógicos, pois, assim como, a Serpente no Jardim poluiu a verdade ao ponto de descaracterizá-la completamente, eles tinham erradicado a mensagem do Evangelho de qualquer conteúdo da graça salvadora em Cristo Jesus.

De fato, não existe outro evangelho, mas estes estavam pervertendo “o evangelho de Cristo” de tal maneira, que Paulo o chama de “outro evangelho”. Perverter(desvirtuar) o evangelho significa, acrescentar ou diminuir coisas da pura verdade do evangelho sem a autoridade de Cristo.

Paulo sempre se preocupou com o conteúdo do evangelho que as igrejas estavam pregando e aceitando (2Co 11.2-4; Ef 3.8)

O ministério de Paulo era tão centrado em Cristo, e identificado com Cristo que ele sempre tratou o evangelho (seu conteúdo, sua beleza, seu poder, seu caráter e natureza) em máxima consideração, ao ponto de chamá-lo de seu evangelho (At 20.24; Rm 16.25; 2Tm 2.8).

A reação de Paulo ao saber da atitude dos Gálatas beirou até mesmo o impossível e o absurdo: “ainda que nós, ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além daquele que vos temos pregado e recebestes, seja anátema”. “Anátema” quer dizer “separado para ser destruído, excomungado, amaldiçoado”.

Paulo afirmou enfaticamente que o evangelho que ele ensinava não veio do homem, não era centrado no homem, porque se viesse dos homens, seria mais agradável a eles. Mas, o evangelho de Paulo veio mediante a revelação de Jesus Cristo para agradar a Cristo (Gl 1.12). Até mesmo foi perseguido por seu evangelho, até pelos próprios gálatas! (Gl 4:16). Quando Paulo recebeu o evangelho de Cristo , ele não foi para Jerusalém para ser instruído pelos outros apóstolos. Antes, ele foi diretamente para Arábia e Damasco, pregando o evangelho que tinha recebido do Filho (Gl 1:15-17).

Sabe irmãos nesses dias o Evangelho puro e simples de Cristo tem sido substituído por melhores soluções que sejam adaptadas as necessidades dos homens:

·       Sincretismo religioso (Sincretismo - Sistema filosófico ou religioso que tende a fundir numa só várias doutrinas diferentes; ecletismo). Satanás sabe que o povo é supersticioso, cheio de crendices e por isso alimenta isso dentro da igreja fazendo o povo errar o único caminho que é Cristo. Levando o povo santo do Senhor a idolatria, a feitiçaria, ao distanciamento de quem é Deus, do que ele fez por nós e de que maneira se revelou a nós. A igreja coluna e baluarte da verdade, comprada com sangue precioso e incalculável, infelizmente ela crucificou o evangelho, ao invés de pregar Cristo, e este crucificado.

·       Modismos humanos (nova unção, congressos proféticos, despertamento da noiva, cultos excêntricos com pastores divinizados). Ensinando o povo que através de subterfúgios podemos nos transformar pra melhor, podemos alcançar de Deus muitas coisas, podemos melhorar nossa vida espiritual, podemos realizar milagres e maravilhas.

·       Banalização dos títulos (Paipóstolo, patriarcas apostólicos). Levando o povo a adorar os homens e não a Deus, levando o povo a divinizar o que é humano, e a dessacralizar o que verdadeiramente é santo. Não se pode questionar nada, não se pode falar nada, é a igreja transforma em seita, pois existe uma só voz divina que fala por todos, decide por todos e está sobre todos. Jamais pode existir julgamento, pois isso é errado, ainda que a bíblia diga que devemos não julgar pela aparência, mas sim pela reta justiça (Jo 7.24).

·       Doutrinas agradáveis – Já algum tempo a igreja tem adotado uma prática comum de melhorar a verdade de Deus, de ajudar Deus a salvar os pecadores com uma mensagem mais agradável, mais palatável, sem confronto com o pecado, sem compromisso com a santidade, retirando a cruz e colocando o homem no centro. 

Portanto, a mensagem boa passou a ser auto-ajuda, e não ajuda do alto, o ensino bom passou a ser melhorar o ser humano e não transformar o ser humano. Agora podemos nos conformar com o pecado porque os pregadores amenizaram os terrores de Deus sobre cada um deles e nem mais falam de inferno, como também não falam mais da graça salvadora e educadora de Tito 3 que nos alcança, ajuda e exorta a vivermos uma vida sensata, justa e piedosa.  E pasmem, até o batismo e a santa ceia já retiraram da igreja.

A bíblia nos adverte quanto a esses: Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo. E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz”. (2Co 11.13,14)

No entanto, tudo isso não passa de uma distorção do verdadeiro Evangelho. Do Evangelho que liberta o pecador e traz alento a alma carente da graça de Deus. O texto revelador de João, nos leva a uma reflexão sobre o quanto a Verdade transformadora do Evangelho pode mudar o ser humano. E por que cremos assim?

1 – Em primeiro lugar: o Verdadeiro Evangelho leva as pessoas seguirem a Cristo e não seguirem a homens.

“No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! É este a favor de quem eu disse: após mim vem um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim. Eu mesmo não o conhecia, mas, a fim de que ele fosse manifestado a Israel, vim, por isso, batizando com água. No dia seguinte, estava João outra vez na companhia de dois dos seus discípulos e, vendo Jesus passar, disse: Eis o Cordeiro de Deus! Os dois discípulos, ouvindo-o dizer isto, seguiram Jesus”. (Jo 1.29-31; 35-37).

João Batista tinha consciência de quem ele era e de quem viria, por isso se preocupou em ensinar seus discípulos a olharem e a seguirem aquele que tanto ele anunciava. Certa vez foi preciso ele mesmo dizer aos religiosos de seu tempo que ele não era o Cristo. Seus discípulos testemunharam disso, quem sabe ficaram perplexos ou decepcionados. Espantados por virem seu mestre ensinando, curando, profetizando e batizando como um Messias de verdade deveria fazer. Mas, vemos aqui que João não se preocupou com isso, então, aqui, ele começa a cortar o cordão umbilical deles, a se desvencilhar deles, fazendo com que eles seguissem a Cristo e não a ele.

Hoje o que mais temos visto são líderes preocupados em fazer seus seguidores, seus discípulos e não discípulos de Jesus, ou então seguidores de determinadas igrejas (venha para minha igreja e você será abençoado...). Estamos vivendo a época do culto as celebridades. As pessoas vão ao culto por causa de fulano, por causa de beltrano e não para adorar a Deus. Isso deveria gerar uma preocupação profunda em nosso ser com relação a nossa espiritualidade. Meu compromisso é com Deus e não com o homem, minha vida é para Deus e não para o homem, porque fui separado para Deus e não para o homem. 

Como estamos vivendo o nosso cristianismo? Em função do homem ou de Deus? Ouvindo o homem ou ouvindo a Deus? Expressando uma fé centrada em Deus ou no homem?

2 – Em segundo lugar: o Verdadeiro Evangelho testemunha a verdade que é Cristo o Messias.

“Era André, o irmão de Simão Pedro, um dos dois que tinham ouvido o testemunho de João e seguido Jesus. Ele achou primeiro o seu próprio irmão, Simão, a quem disse: Achamos o Messias (que quer dizer Cristo)”. (Jo 1.40,41).

A bíblia nos revela que um dos dois discípulos que estavam com João, era André. E ele ao encontrar-se com Jesus através do testemunho de João foi inundado por uma alegria indizível, uma esperança contagiante, e um desejo divinal de testemunhar a respeito do seu verdadeiro mestre e messias. Por isso, ele corre ao encontro de seu irmão Simão Pedro para dizer que havia encontrado o Messias, o ungido. 

Entenda isso: O povo Judeu esperava ansioso o surgimento de um Salvador, o Messias. Aguardavam dia a dia o surgimento desta divina pessoa prometida por Deus. Esperavam porque esse Salvador fora prometido diversas vezes no Antigo Testamento. Veja um texto apontando o surgimento dessa pessoa: “Eis que o SENHOR fez ouvir até às extremidades da terra estas palavras: Dizei à filha de Sião: Eis que vem o teu Salvador; vem com ele a sua recompensa, e diante dele, o seu galardão.” (Is 62).

A palavra Messias em hebraico quer dizer “ungido”. É um título que significa que a pessoa era separada especialmente pelo Senhor para uma obra especial. Jesus era esse Messias. O Ungido prometido por Deus. Daí nós entendemos o grande entusiasmo de André em falar a todos que havia encontrado “O Messias”, Jesus.

Inclusive, a palavra “Cristo” não é um sobrenome de Jesus, mas um título. Cristo na língua grega significa “ungido”. Assim, Messias (em hebraico) e Cristo (em grego) são títulos que significam a mesma coisa: Ungido.

Foi André que apresentou Simão ao Messias prometido, e não a mais um dos vários messias que já haviam surgido em sua época. André é um exemplo para nós. Assim como ele apresentou Jesus ao seu irmão, nós devemos apresentar e principalmente testemunhar de Jesus às pessoas, mas não um Jesus genérico como se tem pregado por aí, mas o Jesus verdadeiro. O Jesus que a Bíblia nos apresenta. 

O Jesus que é salvador, mas também é Senhor, o Jesus que é santo e exige santidade, o Jesus que ama incondicionalmente, mas que se ira incondicionalmente também, o Jesus que foi justiçado por Deus por nossos pecados. O Jesus que pregou e ensinou sobre o Reino dos céus, mas que não negou a realidade do inferno. O Jesus que é Senhor compassivo, clemente, longânimo, misericordioso e fiel, mas que não inocenta o culpado. O Jesus que cura e opera sinais e maravilhas, mas também aquele que ensinou: a tua fé te salvou.

Pregar, ensinar, viver e testemunhar de Cristo demonstra ser uma expressão de vida espiritual sadia daqueles que verdadeiramente foram transformados por seu Evangelho.

3 – Em Terceiro lugar: quem tem o Verdadeiro Evangelho procura levar as pessoas a conhecerem a Cristo

“e o levou a Jesus. Olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, o filho de João; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro). (Jo 1.42).

André não se conteve após ter encontrado Jesus. Ele procurou em primeiro lugar o seu irmão e lhe testemunhou que havia encontrado o Messias. A bíblia não diz, mas qual foi a reação de Simão ao ouvir seu irmão lhe falar de mais um Messias? O que veio a mente de Simão, como um Judeu, vivendo diante da opressão romana, ao ouvir dizer que o Messias era vindo? O que ele pensou ou de que maneira ele reagiu a bíblia não diz, mas nos informa que André levou Simão até Jesus. Veja queridos, André não orou para que Simão viesse até Jesus (não que não possamos fazê-lo), André não profetizou para que Simão viesse até Jesus. André não distorceu a mensagem e o testemunho para que Simão viesse até Jesus.

André na verdade somente testemunhou e falou das coisas que viu e ouviu da parte do Messias ao ficar hospedado em sua casa. Bastou André conhecer o Messias para que ele tivesse a vontade de fazê-lo conhecido. E olha que aquele ensino de Jesus aos seus discípulos depois da ressurreição aconteceu bem depois desse episódio: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”. (At 1.8).

Um ditado diz: “Aquilo que você é troveja tão alto que não consigo ouvir o que você diz”.

Caros irmãos, nós precisamos aprender com a bíblia, a maneira correta de levar as pessoas até Jesus. Ouvimos do Messias, estudamos sobre o Messias, estamos na igreja do Messias, as vezes até testemunhamos do Messias, mas não levamos as pessoas até o Messias. Porque será? Eu creio irmãos que isso acontece porque temos falhado no testemunho pessoal, e no testemunho do conhecimento das Escrituras.

Li uma frase no Face: “A Palavra convence, mas o exemplo arrasta”. O problema é que nós nem convecemos, nem arrastamos. André, convenceu e arrastou Simão até o Messias, porque? Porque conhecia a Palavra e testemunhava da Palavra.

Se estamos em Cristo, precisamos andar assim como ele andou, precisamos pregar e testemunhar do Evangelho verdadeiro, tendo como centro a cruz, o arrependimento de pecados, e a vitória sobre o pecado, satanás e o mundo pela ressurreição, assim como ele pregou e fez disso o âmago de sua mensagem. 
 
“Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém. Vós sois testemunhas destas coisas. (Lc 24.46-48)

As pessoas não conhecerão a Cristo se falharmos com nosso testemunho. Apesar de todo esforço empreendido ao evangelismo mundial, a igreja não conseguirá levar pessoas a Cristo se não for pelo testemunho e proclamação do verdadeiro Evangelho.

A verdade transformadora do Evangelho:

·       Leva as pessoas a seguirem a Cristo e não a homens;
·       Testemunha da verdade que é Cristo;
·       Leva as pessoas a conhecerem a Cristo;

Bendito para sempre seja o Evangelho!

Pr. Flavio Muniz



























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Palavra de Nova Vida - Pr. Flavio Muniz

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