quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Uma fé perseverante - parte 1


(Mt 15.21-28) - Há algum tempo atrás a televisão veiculou uma propaganda onde se fazia a seguinte afirmação: EU SOU BRASILEIRO! E NÃO DESISTO NUNCA! Esta campanha visava aumentar a auto-estima do povo brasileiro, mostrando histórias de pessoas que superaram obstáculos e venceram na vida. No entanto, algo nos chamou a atenção e era comum em todas as propagandas, é que em todas as histórias retratadas, A PERSEVERANÇA era um fator preponderante para a superação.



O texto que lemos nos mostra uma história não somente de superação e milagre, mas nos mostra uma história de vitória por meio da fé, na verdade por meio de uma FÉ PERSEVERANTE. E quando nós falamos de fé, nós precisamos olhar para bíblia para aprendermos sobre a fé, e talvez você se pergunte: porque nós precisamos olhar pra bíblia para aprender sobre fé? A resposta é simples, a bíblia diz em Hb 12.2 que Jesus é o autor e consumador da nossa fé, ele não é somente o objeto de culto da nossa fé, ele é o amém da nossa fé, porque a consumou na cruz fazendo ratificar suas promessas sobre nós. “Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio”. (2Co 1.20).

O que é a fé? Qual é a natureza da nossa fé? (Hb 11.1) - Nossa fé é baseada na Palavra, “certeza de coisas” e “ convicção de fatos” que já nos foram dados por promessa de Deus em sua maravilhosa palavra. Na verdade, podemos simplificar e dizer que: “a Fé é o título de propriedade daquilo que sabemos que possuímos, apesar de não o termos visto ainda”. A fé é a confiança das coisas que se esperam; a convicção daquilo que não se vê. É um estado de mente que dá a certeza de que aquilo que se espera será recebido eventualmente; é a convicção de que a Palavra de Deus é verdadeira ao falar de coisas que não podem ser vistas nem discernidas pela razão.

Eu poderia dizer também que: fé é crer que Deus não mentiu! Um fato muito interessante que precisamos saber a respeito da fé, é que: Deus nunca pediu que manifestássemos fé por algo que ele primeiro não nos tinha prometido fazer!  Certo escritor disse: “Deus trata com seus filhos assim: ele primeiramente nos dá uma promessa, e quando essa promessa produz fé no coração, ele a cumpre!”.

A fé que vem de Deus, se baseia na certeza da sua vontade. E conhecer sua vontade é a base da nossa certeza. A fé se baseia no fato de que Deus falou. Sem a revelação, pode haver imaginação, mas não pode haver fé. Pode haver filosofia, mas não pode haver fé.

Leia isso com atenção: A fé dirá a respeito de si mesma tudo quanto a Palavra diz, porque a fé em Deus é simplesmente fé na sua palavra. E fé na palavra significa, que se ela diz que Deus suprirá todas as minhas necessidades, então Deus assim fará, se ela diz que Deus é nosso escudo, então ele vai nos proteger, se ela diz que ele é o meu pastor, então nada vai me faltar etc.

E porque trazer a luz a definição da fé bíblica descrevendo sua natureza? É porque nós temos visto vários tipos de fé que não se coadunam com a fé bíblica:

1- A fé natural: Esta é aquela fé que todo ser humano tem. Até mesmo o ímpio tem este tipo de fé. Por exemplo: todos creêm que o sol nascerá amanhã. Este tipo de fé não serve para nos aproximar de Deus. Precisamos crer com confiança e esperança em Deus através de sua Palavra.

2- A fé no pastor: Este tipo de fé está enraizado na pessoa e não em Deus. Do tipo:" Se o pastor fulano orar por mim eu serei curado".

3- A fé na religião: Esta é a fé que acredita que, esta ou aquela igreja ou religião é que tem poder.

4- A fé ritualística: É aquela que precisa de ritual para o milagre acontecer, como: "Se eu beber água ungida serei curado ou se eu tocar no manto que o pastor passou na igreja, ou se eu usar a fitinha de Israel na mão direita vou arrumar um emprego",etc.

5- A fé infantil: Paulo nos adverte para não sermos como meninos que se alimentam de leite e não de alimento sólido. Existe cristãos que acreditam em tudo o que ouvem, não conseguem discernir entre a vontade de Deus e a vontade carnal, não conseguem esperar o tempo de Deus em suas vidas e fazem biquinho quando as coisas não acontecem.

6- A fé consumista: Esta é a fé daqueles que só querem receber a benção, estão sempre precisando de um milagre. A igreja para eles é um shopping: eles passam para adquirir algo de Deus e depois voltam e assim vai. Deus é consumido e não adorado em espírito e em verdade.

Mais existe um tipo de fé que agrada a Deus, esta é a FÉ PERSEVERANTE. Fé perseverante é a fé daqueles que realmente conhecem a Deus e alcançam vitórias e testemunhos inigualáveis, esta é a fé dos heróis da fé citados em Hebreus 11 – Abel, Abrãao, Moisés, Noé, etc.

Perseverar é conservar-se firme, constante e inabalável. Perseverar é prosseguir, é persistir, é continuar. Perseverar é ser persistente. A Bíblia nos fala bastante sobre perseverança:

Quando se refere à salvação – “É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma”. (Lc 21.19).

Quando se refere a carreira cristã – “...corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta (Hb 12.1)

Quando se refere à batalha espiritual – “com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos”. (Ef 6.18).

Quando se refere às virtudes cristãs – “por isso mesmo, vós, reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento; com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade; (2Pe 1.5-6).

O texto que lemos em Mateus 15 nos ensina a como exercermos uma fé perseverante em meio as várias situações que a vida nos apresenta. Não basta sermos cristãos e termos fé, nós precisamos saber confessar a nossa fé através de um exercício diário de vivência dentro das experiências que Deus nos proporciona. Essa mulher Cananéia do texto, nos ensina muito sobre a perseverança, a como vencer com uma fé perseverante:

1 - Perseverança mesmo diante do aparente silêncio de Deus – O Evangelho de (Mc 7) diz que Jesus conseguiu uma casa para repousar na região de Tiro e Sidom. Aliás, esta foi uma das poucas vezes que Jesus se ausentou da Palestina. Fato é que Ele não queria ser incomodado por ninguém, mas uma mulher ouviu dizer que ele estava ali e no bom sentido resolveu acabar com o seu sossego. Ela vai até o Senhor Jesus com um problema que afligia sua vida familiar, pois sua filha estava horrivelmente endemoninhada. Ela se apresenta diante do Senhor com um clamor por ajuda. Segundo Marcos ela se prostra, se rende, em total adoração, e clama (Mt 15.22). Mas, surpreendentemente Jesus não lhe responde palavra alguma, ele fica em silêncio (Mt 15.23a).

Esta mulher possivelmente era viúva, solitária, com um grande problema para resolver (sua filha endemoninhada). E agora ela vê tudo o que lhe restava de precioso na vida sendo perdido, e por isso esta mulher estava sofrendo muito. Ela via sua única filha padecendo sob o poder diabólico, sofrendo de um mal que os médicos não sabiam curar, sendo envergonhada, não podendo viver de modo perfeito e intenso: estudar, brincar, etc. E simplesmente Deus fica em silêncio, um silêncio pertubador. O que você faria no lugar dela? Aliás, o que você faz quando Deus fica em silêncio? Você desiste ou você persevera? Qual a sua postura em meio ao silencio divino na sua vida?

Davi sentiu na pele o silêncio divino em sua vida: “Até quando, SENHOR? Esquecer-te-ás de mim para sempre? Até quando ocultarás de mim o rosto?  Até quando estarei eu relutando dentro de minha alma, com tristeza no coração cada dia? Até quando se erguerá contra mim o meu inimigo? (Sl 13.1-2)

O profeta Habacuque também experimentou o silêncio divino: “Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás?” (Hc 1.2)

Tanto Davi quanto Habacuque perseveraram em obter do Senhor a resposta, e alcançaram por meio da perseverança. É verdade que procuraram fazer a vontade de Deus, mas alcançaram, por que por meio de uma fé perseverante eles não desistiram.

Em meio ao aparente silêncio divino aquela mulher não desistiu, por meio da sua perseverança, de sua fé perseverante, ela suplantou todos os obstáculos em sua frente para conseguir o favor do Senhor traduzido em milagre.

“Nossa maior fraqueza está em desistir. O caminho mais certo de vencer é tentar mais uma vez”. (Thomas Edison)

2 - Perseverança mesmo diante da rejeição das pessoas (Mt 15.23b) – Quando aquela mulher foi até Jesus ela foi clamando, gritando, e o seu grito era desesperador e ensurdecedor: “Jesus filho de Davi tem compaixão de mim, minha filha está horrivelmente endemoninhada”.  O mestre a princípio não respondeu palavra alguma, mesmo que ela estivesse utilizando a expressão: “filho de Davi”. E este título “filho de Davi” os judeus reservavam somente para o legítimo Rei de Israel. Veja bem, uma Cananéia não aceitaria facilmente chamar alguém assim. Até pelo fato de ser mulher e gentia, ela não deveria nem chegar perto de um judeu. Porém esta mulher era diferente, ela resolveu romper a barreira cultural e religiosa, se prostrar aos pés de Jesus e lhe suplicar dizendo: “Jesus filho de Davi, tem compaixão de mim”. Sua oração foi muito simples, porém ela demonstrava ter uma grande fé! Fé esta que não foi compreendida e digerida pelos discípulos que pediram a Jesus que mandasse ela embora porque eles já não agüentavam mais os seus berros. Eles a rejeitaram por completo, pois para eles existiam coisas mais importantes do que aquela mulher gentia.

Irmãos, uma pessoa que possui persistência, tenacidade, constância, firmeza, precisa entender que em meio ao caminho proposto da perseverança, sempre existirá as pedras da rejeição, da incompreensão. Os discípulos jamais poderiam entender como uma pessoa sendo do sexo feminino, gentia, fora da linhagem de Israel poderia gritar: Jesus filho de Davi. Quem sabe eles poderiam pensar: Como ela sabe que Jesus é o legítimo Rei de Israel? Ela não está debaixo das alianças da promessa? Onde é que ela aprendeu isso?

O que eles não sabiam é que esta mulher possivelmente somente no ouvir falar de Jesus, foi até a sua casa, e ao que parece ela estava determinada em perseverar até ao fim para que sua filha fosse curada. Sua fé através da tribulação que ela passava a levou a perseverança. E a bíblia diz em (Rm 5.3) que a tribulação produz perseverança. Mas, essa perseverança ela só é plena quando o objeto da nossa fé é justamente o autor da nossa fé, Cristo Jesus, o herdeiro de todas as coisas.

Quem sabe você hoje está abatido, pra baixo, se sentindo enfraquecido, desanimado, porque as pessoas ao seu redor não lhe compreendem, rejeitam a sua fé perseverante, rejeitam sua luta, sua busca incessante por Deus em primeiro lugar e por suas promessas. Para que você as alcance pela fé. Porque foi assim que os heróis da fé obtiveram as promessas de Deus.

A Bíblia diz que aqueles que são da fé não retrocedem, a bíblia diz que nós andamos pelo que cremos e não pelo que vemos. Não se importe se os outros não compreendem sua fé. Aliás não tente fazer que eles entendam. Lembre-se as coisas espirituais se discernem espiritualmente, o homem natural não consegue discerni-las. Continue firme, olhando para o alto, confiando no fiel, esperando no Eterno. Não perca tempo se lamentando com quem lhe rejeita, lhe coloca de lado e lhe diz palavras de desânimo e desconfiança. Prossiga, continue, persista, persevere.

Se aquela mulher gentia se desanimasse com a palavra e a atitude dos discípulos, ela não alcançaria do Senhor o seu milagre. Ela iria parar no meio do caminho e continuar a contemplar sua filha sendo envergonhada pelo diabo.

Uma fé perseverante compreende, mas age em meio ao silêncio do próprio Deus, uma fé perseverante rompe as barreiras do impossível, uma fé perseverante suporta habilmente as rejeições. Uma fé perseverante persiste em meio aos obstáculos e entraves do caminho para se alcançar a benção, o milagre, a promessa. Eu ainda quero falar mais sobre uma fé perseverante. Quero falar sobre a perseverança em meio as provas da vida, e também sobre a perseverança em meio a humilhação no próximo post.

Para terminar com uma história: Em uma Faculdade de medicina, certo professor cristão propôs à classe a seguinte situação: Baseados nas circunstâncias que vou enumerar, que conselho dariam vocês a esta senhora, grávida do quinto filho? O marido sofre de sífilis e ela de tuberculose. Seu primeiro filho nasceu cego. O segundo morreu. O terceiro nasceu surdo. O quarto é tuberculoso e ela está pensando seriamente em abortar a Quinta gravidez. Que caminho vocês a aconselhariam tomar? Com base nestes fatos, a maioria dos alunos, não cristãos, concordou em que o aborto seria a melhor alternativa. O professor, então, disse aos alunos: - Os que disseram "sim" à idéia do aborto - acabaram de matar o grande compositor Ludwig Van Beethoven, um dos maiores gênios da música de todos os tempos. 

Bendito seja o Evangelho!

Pr. Flavio Muniz

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Palavra de Nova Vida - Pr. Flavio Muniz

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